Josh Safdie, um dos diretores de Good Time, falou sobre Robert durante o Festival de Cannes com a Filmmaker, confira:

Pattinson tem ajudado a fazer com que muitos filmes sejam feitos, interpretando papéis secundários, como em “Lost City Of Z” e “The Rover”. O que achas que o atraiu para fazer o papel principal neste filme?
“Ele não precisa do dinheiro – o que está após isso é algo muito mais existencial, e ele relacionou-se com o Connie nesse aspecto. Ele sentiu-se aprisionado, e que não conseguiria ser livre por causa daquela coisa de “Twilight”. Essa é a razão pela qual ele tem tomado decisões tão interessantes. Ele quer entrar naquilo que a representação significa para ele. Ele quer perder-se [nos personagens]. Então, para [o papel de] Connie, ele deu-nos quatro meses de preparação para o personagem. Ele viajava para Nova Iorque, conhecia pessoas, ia a prisões no personagem. O Ronnie e eu escrevemos aquela insana [biografia do personagem], literalmente desde o nascimento até ao primeiro minuto do filme. Nisso ele tinha um tio que tinha uma concessionária automóvel onde trabalhava. E foi neste golpe maravilhoso que aprendi.”

Good Time estrou na competição de Cannes com Robert Pattinson no filme sendo: um maníaco, desgrenhado. Quando nos encontramos com ele dois dias depois, o ator estava com sua figura desajeitada, como ele se define: magro e pronto para a desarticulação. A sua timidez não é falsa e o seu nervosismo é expressado por suspiros com calor expressivo. Ele é um daqueles atores envergonhados pela sua beleza e que duvida das suas qualidades como ator. Da nossa parte, não duvidamos dele há muito tempo.
O personagem muito físico do filme de Josh e Benny Safdie é outra metamorfose na sua filmografia cada vez mais e mais rica, ele escolhe papéis com um gosto óbvio pela novidade. O prêmio de melhor interpretação seria perfeito para reconhecer este caminho após o sucesso mundial de Twilight, que o fez uma estrela; e lhe trouxe mais filmes aventureiros com David Cronenberg, James Gray ou Werner Herzog. Mas Pattinson não parará por aí. Há High Life de Claire Denis e Idol’s eyes de Olivier Assayas (irá contracenar com Sylvester Stallone), ele já anunciou uma colaboração com Ciro Guerra, o diretor colombiano de Embrace of the Serpent.
Robert faz as primeiras perguntas
Rob: Você se divertiu no festival?
Repórter: Sim, mesmo que os filmes em competição não fossem tão bons este ano.. Sortudos fomos nós que tivemos um bom tempo assistindo Good Time!
Rob: Você assistiu outros filmes?
Repórter: The Day After de Hong Sang-Soo
Rob: Oh sim, Claire Denis falou-me desse filme, ela adorou. Tenho de ver.
Repórter: A quinzena de diretores apresentou um filme muito bom de Claire Denis, L’Amant d’un jour de Philippe Garrel e Jeannette de Bruno Dumont.
Rob: Jeannette?! Disseram-me que era ruim.
Repórter: Pelo contrário, é brilhante!
Rob: Oh, então tenho de ver.
Agora as perguntas serão feitas pelo jornalista.
Good Time foi um fenômeno em competição.
Sim provavelmente, mas no início o filme não estava em competição. Se o filme estivesse nas exibições especiais, a recepção do público seria diferente, seria levado como um filme divertido. Mas é um filme mais sério.
Você que entrou em contato com os Safdie para trabalhar com eles?
Vi um poster de Heaven Knows What na internet e disse a mim mesmo que se eles estavam usando aquele tipo de imagem para promover o filme, então a sensibilidade deles é interessante para mim. O trailer era incrível, realmente enérgico. Encontrei-me com eles e em questão de segundo soube que eram bons. É aquele tipo de coisas que se sente. Vi o filme durante esse primeiro encontro e disse-lhes: 'vamos fazer algo juntos, o que quer que seja'. Eles têm esta rara qualidade de reagir e tomar decisões muito rápidas. Normalmente seria: 'okay', e demoraria muito tempo. Com eles foi 'vamos fazer isso!' e um mês depois recebi a primeira versão do roteiro. A ideia original para Good Time era muito diferente, eu seria o irmão de Buddy Duress e tínhamos cursos de interpretação, foi estranho.
Josh Safdie te enviou a biografia do personagem antes de te mandar o roteiro?
Sim, acho que foi antes. É parte do seu processo de escrita. Josh quis que eu aprendesse aquelas 5, 6 páginas sobre a vida do Connie, o que me deu a entender que ele foi preso com 12 anos, por exemplo. Senti-me como um policial aprendendo sobre um prisioneiro. Nada de extremo aconteceu ao personagem. Soube como ele cresceu, os nomes dos membros da sua família. Na segunda versão do guião, tive trocas de e-mail constantes com o Josh e Ronnie Bronstein. Quis ter a certeza de caminhar na direção certa então contei-lhes sobre a minha ideia de roteiro ideal e eles sempre me responderam e foram sempre muito 'mentes abertas'.
Demorou muito?
Cerca de 8 meses. Falamos diariamente enquanto eu estive na Colômbia a gravar The Lost City of Z, porque lá não havia muito para fazer. Isso fez com que eu investisse no roteiro e me sentisse realmente conectado com a história.



Você se sente um pouco como Connie?
Além do fato de que ele é muito louco? Olha, eu tenho a impressão de que Connie é muitas pessoas em apenas uma, mas eu não sei o quanto há de mim. Ele não tem moral. Eu sou uma pessoa que para no sinal vermelho.
Por que esse filme?
Eu gosto de como os irmãos Safdie trabalham. Sua energia é autêntica, selvagem, quase incontrolável.
O que te incomodava (durante as filmagens)?
Bem, andar na rua. Eu temia um ataque de paparazzi ou que algum lunático atacaria o set.
Em vez disso?
Graças, também, a maquiagem (bem eles me cobriram com acnes!) ninguém me reconhecia, ninguém tentou tirar uma foto com o telefone. Loucura. Eu era um fantasma nas ruas de Nova York.
E ficou arrependido do anonimato?
Nem mesmo um pouco. Eu sabia que não iria durar.
Oneohtrix Point Never disponibilizou em seu site a música 'The Pure and the Damned' interpretada por Iggy Pop como você pode ouvir no trailer Good Time. A canção foi composta para a cena de encerramento do filme e as letras foram escritas por Iggy Pop:
Conheça os títulos das faixas que compõem a trilha sonora de Good Time, vencedora do prêmio do Festival de Cannes deste ano:
Já está em cartaz há uma semana, mas, com algum atraso, vamos lá: é formidável a história do inglês Percy Harrison Fawcett, ex-oficial do Exército Imperial Britânico e cartógrafo que, em 1906, a mando da Royal Geographic Society (e do Império Britânico) foi o primeiro a se embrenhar na região pavorosamente inóspita e então completamente virgem que hoje compõe a fronteira entre Brasil e Bolívia. Era milagre que alguém saísse vivo desse tipo de expedição. Mas, depois de uns dois anos, a selva cuspiu Fawcett de volta, vivinho, com ótimos mapas em mãos, que evitaram uma guerra territorial entre os dois países – e picado pelo mosquito da obsessão. Obsessão pela própria selva amazônica e por vencer, na base da fibra física e moral, suas dificuldades inimagináveis. E obsessão pela ideia que ele começou a formar, apoiado em artefatos que achou e que juntou aos relatos dos primeiros colonizadores espanhóis do continente americano sobre uma El Dorado – uma majestosa cidade feita de ouro. Fawcett entendeu, claro, que El Dorado era lenda. Mas encasquetou que a lenda tinha uma origem, e que haveria, em algum lugar da Amazônia, as ruínas de uma cidade deixada por uma civilização extinta. E, como bom vitoriano, ele queimava com o desejo de ser o primeiro a encontrá-la. Essa é a história que o filme do diretor James Gray adapta do livro-reportagem de mesmo título do jornalista americano David Grann. Adapta e, infelizmente, empalidece.
É lógico que um filme de duas horas não pode conter todo tipo de minúcia que cabe num livro de mais de 300 páginas. É lógico também que, nesse processo de resumir, o filme vai ter de tomar algumas liberdades. Tudo isso faz parte, e é um prejuízo bem pequeno diante do benefício muito maior de apresentar à plateia um personagem tão singular. Só não creio que o resumo e as liberdades seguiram o melhor caminho possível. Primeiro porque o filme é lento, carente de emoção, e às vezes se arrasta mesmo – e no entanto deixa de fora um monte de detalhes interessantes que caberiam nele com facilidade se o roteiro fosse mais dinâmico. Segundo, porque o diretor e roteirista Gray escolhe tornar o Fawcett interpretado por Charlie Hunnam um homem quase agradável, quase simpático. Fawcett era mesmo um colosso de personalidade, de inteligência e de intento. Mas podia ser intragável, e era um osso duríssimo de roer – e existe algum outro osso capaz de sobreviver a inúmeras expedições de anos de duração à selva amazônica?
Percy Fawcett tinha uma resistência física extraordinária, e achava todos uns fracotes sem espinha em comparação com ele (exceção feita ao amigo e companheiro de expedição Henry Costin, numa bela interpretação de Robert Pattinson). Nunca guardava sua opinião para si: esfregava-a na cara dos presumidos fracotes a toda oportunidade. Lá estava o sujeito chacoalhando de malária, e tendo ainda de ouvir que a febre de 41 graus era mera frescura: toca marchar dez horas seguidas sem pausa para refeição. Fawcett não tinha dó de ninguém e submetia a todos – mulher, filhos, expedicionários, amigos – às exigências terríveis dos seus planos e obsessões. Tinha um ego monumental, e espumava de rancor ao menor arranhão a esse ego. Era competitivo ao ponto da irracionalidade, e de cara conseguiu fazer um inimigo do brasileiro Marechal Rondon, que também iniciara suas incursões à imensidão inexplorada (Rondon devolveu a antipatia na mesma moeda). E, a dada altura, perdeu o senso de perspectiva: quanto mais fantasiava com Z, a cidade perdida, mais confundia suas fantasias com o possível.
Meu ponto: não é preciso gostar de Fawcett para se fascinar com ele. Muito pelo contrário. Fawcett é fascinante por ter sido como foi, cheio de ardor e de injúria, de visão e de contradição, de virtudes que viravam defeitos ruinosos. É um tipo de ser humano que o mundo hoje tão esquadrinhado, na palma da mão do Google Earth, quase não é mais capaz de produzir. É um aventureiro prodigioso de uma era tomada pelo desejo de aventura. Lendo o livro de David Grann, me apaixonei pela teimosia e pela irascibilidade de Fawcett, pelas brigas que ele comprou, pela gente graúda com que ele foi bater cabeça sem nem pensar duas vezes. Admirei a maneira relutante – relutante mas muito admirável em um inglês do seu tempo – com que ele adquiriu algum respeito para com as tribos que encontrou. Mas Fawcett nunca perdeu seu senso de superioridade sobre elas, até porque nunca perdeu seu senso de superioridade sobre ninguém. Esse Fawcett até afável do filme, cheio de consciência ecológica e de consideração étnica – esse Fawcett que ouve a mulher, bate umas trilhas, passa um pouco de fome e aí mata um porco do mato e pronto, está salvo e bem-humorado de novo? Esse não é Fawcett. É uma representação politicamente correta do personagem real, agudamente preocupada com os ditames do que hoje se considera ser de bom tom. Fawcett não precisa ser desculpado por ser como foi, e sobretudo não precisa ser “melhorado”. Só precisa ser conhecido. Gostar dele não é fácil. Ms apaixonar-se por ele é quase inevitável.
Trailer
[...] A MFI, com sede em Paris, disse que a Netflix comprou o filme, para sua plataforma, na Espanha, Itália, Reino Unido e Irlanda, Escandinávia, Israel, Portugal, Bulgária, Rússia, CEI, Bálticos, ex-Jugoslávia, Hungria, Polônia, República Checa, Romênia, Coreia do Sul, Singapura, Malásia, Tailândia, Japão, Austrália e Nova Zelândia.
[...] Como resultado, "Good Times" foi vendido para lançamento em cinemas e direitos aos seguintes territórios da Netflix: Espanha (CDC), Itália (Movies Inspired), Escandinávia (Cinemanse Oy), Portugal (Midas), Rússia, CIS e Bálticos (Voxell-Rocket), ex-Jugoslávia (Megacom), República Checa (Bohemia), Coreia do Sul (Activers), Singapura (Anticipate Pictures), Japão (Fine Films) e Austrália e Nova Zelândia (Hi Gloss Entertainment).
Lembrando que o filme "The Souvenir" será dividido em duas partes, a primeira será filmada este verão e a segunda no verão de 2018 e o Robert será protagonista da segunda parte. Estar listado com "The Souvenir Pt1" pode significar que seu personagem poderá aparece na primeira parte e crescer no segundo filme.































